William Bonner mostra lado “quase normal” na internet

Posted on outubro 21, 2009 por

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Com Twitter, apresentador do “JN” tenta se aproximar dos telespectadores

NINA LEMOS
COLUNISTA DA FOLHA

No passado, ficávamos chocados ao ver fotos de Sérgio Chapelin e Cid Moreira fora da televisão. Como assim, os apresentadores do “Jornal Nacional” existiam fora daquela bancada? Agora, na era da internet, o robô tomou corpo (virtual). E acompanhamos com interesse o Twitter do William Bonner, o Sérgio Chapelin moderno.
Acessando a internet, podemos ver que ele existe de verdade. Fora da bancada, ele lê antes de dormir para os filhos, corre de um lado para o outro e parece até que é um de nós, reles mortais desprovidos da moeda da fama. Bonner é tão humano que se irrita com comentários de “seguidores” e os responde. Alguém imagina o Chapelin discutindo?
No Twitter, os famosos ganham voz. E se sentem “normais”, como disse Bonner em uma entrevista. Deve ser triste só se sentir normal em um espaço virtual, mas enfim. O que faz o @realwbonner (apelido que ele usa no Twitter) na sua vida “normal-real-virtual”? Entre outras coisas, ele explica que é normal. “Sou uma pessoa rigorosamente quase normal”, escreve. E se diverte postando fotos de sua poltrona favorita, de seu cachorro e por aí vai.
E o público aplaude, ou melhor, segue. William Bonner tem 141 mil seguidores. Isso significa que essas pessoas, sempre que acessarem o Twitter, poderão receber as informações que ele acabou de postar. Entramos com gosto na intimidade do apresentador do “Jornal Nacional”, até antes inanimado, e ficamos chocados com coisas simples. “Como assim, ele gosta de brigadeiro?”
Enquanto isso, a celebridade em questão brinca em um quintal onde se sente livre para comentar as coisas da vida que quem não é famoso comenta com o taxista.
Mas a nossa intimidade com Bonner parece maior do que a que temos com passantes que cruzamos na rua. Sabemos de antemão, por exemplo, que no dia tal ele não estará apresentando o jornal. Está ali, escrito em seu Twitter, com antecedência. E sabemos até o motivo! Ele deu uma palestra e só dormiu três horas (coitado!). Se já nos sentíamos íntimos de uma pessoa que entra todos os dias em nossas casas, agora nos sentimos praticamente parte do seu círculo familiar.
Agora, nossa relação com o “Jornal Nacional” corre o risco de não acabar nunca mais. Podemos acompanhar o dia do apresentador, que twitta cerca de 15 vezes diariamente, e até ajudar a escolher seu figurino. Ele faz enquetes no microblog, nomeadas por ele de “interativas”, nas quais os internautas podem, por exemplo, escolher a cor da gravata que ele vai usar. Nesse caso, podemos nos sentir praticamente a Fátima Bernardes. E depois de desligar a TV, ainda podemos acompanhar seu trajeto para casa e receber um “boa noite”.
Não é por acaso que o apresentador do “Jornal Nacional” nunca esteve tão em evidência. Ele nunca esteve tão próximo de nós, telespectadores. Agora, quem diria, o apresentador é nosso amigo virtual (como se isso significasse alguma espécie de amizade real).

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